

A CONEXÃO DO AMOR!
Um homem de 40 anos estava sentado na varanda de sua casa, meditando, pensando com o que vinha acontecendo entre ele e a esposa. Quando se conheceram foi um romance à primeira vista, ela era só amor, carinho e atenção. Fato que foi mudando com o tempo, onde tudo o que dizia, ou tentava dizer se transformava em agressão verbal, ameaças que o deixavam cabisbaixo. O sonho dele era encontrar uma mulher que o auxiliasse no dia a dia, que sentasse ao seu lado para uma conversa franca, que não tivesse vergonha de beija-lo em público. Uma pessoa amiga que estivesse disposta a suportar as crises juntos. Mas ele não a reconhecia mais, quanto mais tempo durava, mais o coração dele aprendia a esquecer, até nas suas orações pedia que deus mandasse alguém que o compreendesse, que não fosse apenas uma namorada, mas uma amiga, confidente e acima de tudo o aceitasse como era.
Final de outono na pequena cidade do Paraná, ele se preparava para ir em busca de lenhas, já que o mês de maio estava começando a esfriar. Calçou suas botas, coloca um velho chapéu, apanha o machado, chama seu cão e sai sem se despedir da mulher que está sentada em frente a TV e nem vê o marido sair.
A velha estradinha marcada pelos pneus de carros e caminhões atravessava uma floresta de araucárias e bracatingas, ele olha seu cão que com rabo erguido segue em frente. Ao longe avista a silhueta de uma pessoa que aos poucos vêm se aproximando.
Um feixe de gravetos de vassoura lageana ela traz nas costas. Nota que é uma mulher, a calça e camisa de manga longa marcam seu corpo esbelto e bonito. Eles se aproximam, ele a cumprimenta, quando ela pergunta:
-Moço, conhece alguma nascente por aqui? Estou com muita sede.
Ele responde:
-Não se preocupe tenho água na garrafa, aceita?
Com a ajuda do moço, coloca os gravetos no chão e senta na beira do caminho, bebe a água oferecida. Ele também senta e a conversa inicia.
Ela nota seu semblante triste e pergunta:
-Por que toda esta tristeza estampada em seu rosto?
Ele fica meio sem jeito, mas responde.
- São coisas de uma paixão que se transformou em pesadelo.
Ela nota sua tristeza e diz estar pronta para ouvi-lo;
Antes de responder ele pergunta seu nome. Ela diz que seu nome é Clarice, mora na cidade a pouco tempo, veio cuidar de sua mãe, trabalhava como secretária em uma empresa de Curitiba PR, mas teve que retornar. Ele realmente nota suas mãos bem cuidadas, apesar das marcas do trabalho caseiro. Lábios grossos, olhos verdes, uma morena realmente linda e simpática, que mesmo sem conhece-lo, senta-se ao seu lado para conversar.
Na sequência ele conta sua vida amorosa, que a cada dia está o deixando mais pra baixo, devido ao tratamento recebido de quem ele mais dedicou amor.
Ela ouve calada e no final comenta:
Não fique assim, dá pra ver na sua voz que é um homem verdadeiro, percebo no seu olhar ao longe que dá vontade até de fugir, mas pensa que mudanças acontecerão.
Ela fala também de sua vida, que a muito tempo não sabe o que é um amor, alguns homens somente se interessam pelo corpo e não pela beleza interna.
Ele a elogia e afirma que jamais esperava encontrar alguém para conversar e ouvi-lo.
As horas passaram, ele contou seu nome, agradeceu pela atenção e iria buscar lenha.
Ela questionou:
-Mas cortar lenha apena com um machado.
Ele responde:
-Pois é, não tenho condições de comprar uma motosserra. Ela sorriu e falou pra ele, que havia adorado conversar com ele e poderia futuramente conversar novamente.
Ele agradeceu e disse que seria uma honra. Ajudou a erguer os gravetos, se despediu e ficou olhando aquela bela mulher que seguia pelo caminho.
Algumas semanas se passaram, ele no dia a dia não esquecia aquela mulher, ela ao mesmo tempo também não conseguia esquece-lo.
Como seria o futuro naqueles dois?
Num domingo ele seguia até o centro da cidade, quando viu aquela mulher de vestido, passeando pela cidade, no primeiro momento não a reconheceu, quando de repente ouviu:
-Oi não me conhece mais?
Ele a olhou e se surpreendeu com a mulher que estava a sua frente.
Batom vermelho delineava sua boca, as unhas da mesma cor a tornava ainda mais bela e atraente; seus olhos verdes combinavam com o cabelo preto.
Ela se aproximou e lhe deu um abraço demorado, que ele aproveitou cada segundo. Seguiram até a pracinha; sentaram-se em um banco e a conversa rolou. Perguntas, risos e conselhos rolaram.
De repente o tempo fechou e uma chuva passageira pegou o casal de surpresa, o vestido dela ficou encharcado, ele rapidamente tirou a camisa para protegê-la, e deixou parte do corpo a mostra, fato que ela admirou. Ele notou as curvas do corpo dela que apareciam sobre o vestido colado e molhado. A paixão crescia em seu peito. Ela apanhou a camisa dele e enxugou o peito dele, que estava molhado, cada detalhe era reparado. Ele pensou:
- Como não nascer uma paixão por alguém tão carinhosa e simpática.
Ela agradeceu e disse:
-É a primeira vez que um homem fica seminu para me proteger da chuva e deu-lhe um beijo na face.
Ele pensou, quantas vezes a sua mulher que vivia a seu lado teria falado que o amava, ou feito algum gesto parecido? Nos últimos anos o que ela fazia era reclamar de tudo o que ele tentava ou fazia de bem para agradá-la. O que aquela mulher fez em poucos minutos, com detalhes que lhe chamaram a atenção, era o que não tinha em casa a muito tempo.
Clarice, a mulher que a poucas semanas havia conhecido, preencheu um vazio que estava se abrindo em seu coração a cada dia, este vazio era devido o tratamento de Vitória, a mulher que vivia ao seu lado a vários anos. Logo após, ele vestiu a camisa molhada e saíram os dois pelas ruas, quando ela o convidou para visitar a sua casa. No local, apresentou a sua mãe, enquanto o rapaz conversava com a senhora ela foi tomar banho e trocar de roupa.
Após o banho voltou com um short curto, que a deixava ainda mais atraente.
Perguntou se ele desejava se banhar, arrumou uma calça e uma camisa de seu irmão mais velho que residia com a família em outra cidade, que serviu muito bem.
As horas passaram, um delicioso café foi servido com broa de milho e cuca. Tudo estava delicioso, especialmente a presença daquela mulher. A tarde passou e a noite chegou, ela disse para ele esperar o jantar. Enquanto mãe e filha cozinhavam, ele auxiliava, arrumando a mesa, como se fosse um velho conhecido. Lauto jantar, James (seu nome), conta que é professor, deu um tempo nas aulas para se dedicar ao casamento e a mulher que lhe prometeu amor, mas seu desejo é retornar para a sala de aula. Chega a hora da despedida, ele não quer ir, mas, o compromisso de voltar para casa mesmo não querendo o obriga. Se despede da mãe da moça, a amiga lhe acompanha até o portão. Sobre a luz do luar ele oferece um abraço e ela aceita com carinho. Olhares se encontram, ela acaricia seu rosto, passa o dedo indicador em seus lábios e sussurra:
-Como você é lindo. A resposta de James é um beijo nos lábios que se abrem pedindo amor, seu corpo arrepia-se, ela continua a beija-lo, o outro abraço ainda é melhor.
Ali começava um amor de verdade, algo que mudaria sua vida. Como será a reação da mulher dele, que ao invés de ama-lo, odeia seu jeito de ser????